02 maio 2010

Domingo

Hoje vou faltar ao ténis. Vou dormir até tarde. E quando acordar vou pegar no popó e vamos até casa dos meus pais. É o dia da mãe, hoje. Imprimi umas coisas que escrevi e vou dar à minha mãe. Vou levar as folhas mal engendradas dentro de uma revista de arquitectura, porque sou tão má filha que nem as encadernei. Quando chegar lá a casa, ela vai pôr tudo com muito cuidado dentro de uma mica, para não se estragarem, não obstante o meu Mãe, isso não tem mesmo nada de especial... ela Tudo vindo da parte da minha filha é especial. Estas folhas são um tesouro. Eu vou ficar, de repente, tão triste e embaraçada por ela que, por instantes, só me vai apetecer ir embora, esquecer o almoço, a minha mãe e as folhas que, sei eu tão bem, não têm mesmo nada de especial. Mas em vez disso, vou sentar-me à mesa e continuar com se nada se tivesse passado. A minha mãe vai estar tão contente que vai apontar para cada um dos pratos que confeccionou e explicar em pormenor, sabendo de antemão quais os pontos com que eu vou implicar. Vai dizer-me Estes não têm sal, mas são bons e saudáveis, prova, sempre podes pôr um pouco de molho de soja que fica bom ou Este queijo com ervas é muito bom, mas não é nada calórico, porque é feito com tofu. Podes comer à vontade. Vai estar tão contente por eu estar ali e de novo vou sentir-me tão envergonhada pelo facto de a razão de tanto contentamento ser eu, a pior filha do mundo, que vou acabar mesmo por ir-me embora, ainda nem serão três e meia da tarde. Quando sair de casa dos meus pais, vou visitar a minha casa, branca, creme e abandonada, por agora. Vou dormir até o quarto se encher de amarelo. E nessa altura vou levantar-me e vou correr na passadeira, mesmo assim, de roupa interior... e de chapéu de coco.

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