06 junho 2018

Tenho medo de nao chegar suficientemente profundo, de para sempre nadar à superfície, não atingindo a mais bela maneira de contar o dia que passou, todos os dias que passaram antes de chegarmos. Tenho receio de me perder em pressas inúteis, comentários mesquinhos, profissões sérias. 

17 maio 2018

Vi o La La Land (Damien Chazelle, 2016) e adorei, tal como aos 10 anos adorava os meus musicais ingénuos, divertidos e apaixonados, a transbordarem com as cores com as quais eu queria pintar a minha vida. Os meus musicais: My Fair Lady, Música no Coração, Mary Poppins, Annie e alguns da Disney. Com nostalgia, procurei a versão de My Favourite Things do Coltrane que o Carlos me mostrou na faculdade. A música encontrei-a na banda sonora do Shame onde reencontrei o solo deslumbrante de Carey Mulligan, o romântico Chet Baker e o meu Glenn Gold. Oh, se ao menos o mundo se movesse a Bach.

13 fevereiro 2018

Obrigada por me teres mostrado a lua. Nao a vi pintada na tela mas esta noite vou vê-la pintada no céu escuro. De manhã estava a convencer a nossa pequenina a fazer chichi no penico e perdi a lua. Mas esta noite vou ver. A nossa casa transborda de poesia e cansaço. Em breve vou transformar toda a nossa poesia em verso. A Rita a fazer chichi no penico, o Manuel a pedir festas nas costas, os dois a lavarem-me os dentes, a vestirem o boneco, a jogarem com a bola, a viajarem de carro até à savana, a mergulharem no oceano imenso da nossa sala, a dançarem contigo, a construírem puzzles até à lua. Tenho saudades de ver poesia cá fora, no entanto. Há vários meses que o céu, coberto de nuvens, não deixa ver a lua. Mas esta noite no céu escuro ou no quentinho do nosso quarto a ouvir Sufjan Stevens, a ler o Russel e a fazer-te festinhas... esta noite vou ver poesia.

30 janeiro 2018

The Band’s Visit

 
The Band’s Visit, de Eran Kolirin (2007). Personagens muito bonitas, história muito bonita, imagens muito bonitas. Adorei.

12 dezembro 2017

Apesar de tudo, foi mágico... esquecer o sono e, levada pelo vento, quase desaparecer no meio daquele branco todo, dançando espalhando neve a cada passada.

14 outubro 2017

Song to Song, Terrence Malick

Com a idade tornei-me muito mais tolerante para com os meus sentimentos, as minhas accoes no passado, as escolhas dos outros. Com a idade também me tornei muito mais idealista e intolerante em relação às minhas escolhas agora. E o filme transborda todos esses sentimentos. Muito bonito.


For mercy has a human heart.
Pity a human face.
And love the human form divine.
And peace the human dress.

La double vie de Verònique (1991). Trois couleurs: bleu (1993) Trois couleurs: rouge (1994). Krzystof Kieslowski. Vi os filmes do Kieslowski pela primeira vez quando estava grávida do Manuel: trois couleurs, la double vie de véronique e toda a sequência do dekalog. Gostei tanto. Três anos depois revejo duas das cores e a Verònique. Fico tão impressionada que durante duas semanas vejo curtos documentários sobre os filmes e ainda agora, meses depois, as imagens e a música dos filmes continuam comigo.